Sobre mim

Climene Almeida
Climene nasceu em Santa Cruz de la Sierra, região tropical da Bolívia. Filha de mãe boliviana e pai brasileiro. Desde cedo, recebeu uma educação baseada no valor do trabalho ligada à cultura de Los Andes e a várias gerações de migrantes, e marcada pelo sincretismo entre tradições católicas, andinas e umbandistas. Formou-se em Ciências da Comunicação Social e iniciou seu caminho narrativo através do jornalismo investigativo e literário. Fatos transformam-se em cenas sensoriais. Hoje, a disciplina da observação, a empatia com os personagens e a responsabilidade de compreender uma história antes de narrá-la, ecoam na sua montagem.
No Diario Mayor El Deber, um dos jornais de maior circulação da Bolívia, realizou apurações em campo e escreveu reportagens de cunho social (“Temporada alta de tráfico de ossos humanos”, “549 crianças moram na prisão Palmasola” e “A lei não é igual para os adolescentes infratores”, “Investigam documentos públicos falsos no Palácio da Justiça de Santa Cruz”), assim como entrevistas biográficas (“Paola Berbetty, longe do fado Von Borries”, “Erika Viveros: O autismo é uma bênção”) e matérias para a editoria de cultura e para a revista feminina Para Ellas. Em 2012, habilitou-se como jornalista para cobrir conflitos sociais através do treinamento de correspondente de guerra no Regimento Satinadores de Selva 2, Cnl. Francisco Manchego.
Na década seguinte, Climene ampliou sua atuação no jornalismo e na comunicação, passando pelo rádio, televisão e assessoria de imprensa. Em 2016, migrou para o Brasil e especializou-se em Jornalismo Internacional (PUC-SP) e, entre 2020 e 2022, atuou como social media e localizadora linguístico-cultural para multinacionais de tecnologia na América Latina, entre elas Thomson Reuters, Facebook, VTEX e Mercado Pago. Essas experiências a ensinaram a articular diferentes discursos e linguagens para construir narrativas capazes de conectar histórias e personagens a diversos públicos. E, como uma alquimia de formas, a montagem atravessou sua vida.
Desde 2022, trabalha como dupla de montagem junto a Rafael Nantes. Ela tem atuado como montadora e assistente de montagem em ficção, nas séries Arcanjo Renegado (Globoplay) e Verônika com K (Globoplay), e em longas como Na Linha de Fogo (Star+, Globoplay) e Viúvos (longa independente); além de vídeos como Ilha da Tentação Brasil (Prime Video, social media), e documentários como Reconstruindo o Gol Perdido do Pelé (Google) e Ilê Funfun: Uma Homenagem ao Centenário de Rubem Valentim.
Climene compreende a montagem como um exercício sensível e técnico, tendo em Walter Murch e Karen Pearlman referências para pensar emoção, ritmo e percepção, e em Carl Jung um ponto de partida para interpretar a dimensão simbólica dos personagens e suas jornadas. Para ela, a montagem é como o jornalismo para Kapuściński: um ofício que exige, antes de tudo, ser uma boa pessoa.

